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Açores Online "Antes morrer livres que em paz sujeitos"

Ricardo Serrão Santos apela a um novo paradigma para a defesa dos ecossistemas marinhos

O eurodeputado, Ricardo Serrão Santos, interveio, esta terça-feira, em Roma, no painel sobre “Ecossistemas marinhos globais e europeus em mudança” das Conferências EurOCEANS 2014, uma co-organização do European Marine Board, da Comissão Europeia e do Conselho Europeu que conta com o apoio da Presidência Italiana da União Europeia.

Na sua intervenção, o eurodeputado açoriano, referiu que é necessário integrar um novo paradigma que abrace a multidimensionalidade dos problemas ambientais de que padecem os ecossistemas marinhos, “ao nos adaptarmos para a aparente inevitabilidade da subida média das águas do mar, temos também que lutar contra a acidificação dos oceanos” e, exemplificou, “é estranho que tivéssemos sido capazes de evitar a perda da baleia-azul devido à sobre-exploração e, agora, a coloquemos em risco por lhe destruirmos a principal fonte de alimento, o krill”. Referindo-se às alterações climáticas, Ricardo Serrão Santos, afirmou que “não há dúvidas científicas quanto à intensificação das alterações climáticas globais e a falta de ação apenas poderá conduzir ao desastre”.

O deputado referiu, quando interpelado sobre os impactos ambientais causados pela ampliação do Canal do Suez, uma preocupação de alguma amplitude nos países do Mediterrâneo, que “o crescimento azul deve ser tomado com a tonalidade correta. Se fosse crescimento por crescimento não teria o qualificativo azul. O azul aponta o meio aquático e dá-lhe a responsabilidade da sustentabilidade e da inovação”. Reforçando esta questão, o deputado defendeu que mesmo a Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”, que tem um pendor ambiental evidente, deve ter uma abordagem precaucionaria dada a liberdade de interpretação que é dada aos Estados Membros no momento da sua transposição para a legislação nacional.
Ricardo Serrão Santos defendeu, ainda, que “há louváveis iniciativas estratégicas no mundo da ciência, como é o caso do Horizonte 2020”. Chamou, no entanto, a atenção para o facto de “não ser admissível que este seja descapitalizado pelos Ministros das Finanças Europeus” tendo relembrado que “o Parlamento Europeu já se opôs com particular veemência a esta realidade. A boa governança exige ação, coerência e estabilidade e estamos num período em que se exige visão”.

Para além do deputado europeu socialista, participaram no painel: Frederic Briand, da Comissão Científica do Mediterrâneo (CIESM); Roberto Danovaro, da Estação Geológica Anton Dohrn de Nápoles; Luís Valdes, Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO; Karen Helen Wiltshire, do Alfred Wegener Institute tendo a Diretora Geral da Comissão Europeia encarregue dos Assuntos do Mar e Pescas, Lowry Evans, e representantes da DG Ambiente e a Diretora do Joint Research Centre, assistido aos trabalhos.

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