Ilhas Bruma – Açores

Açores Online "Antes morrer livres que em paz sujeitos"

Luís Parreirão: “Rotas liberalizadas representam 35% da receita da SATA”



Tem-se falado muito da chegada das low-cost aos Açores. Como é que a SATA, que até aqui geria a ligação sozinha, em regime de serviço público, está a encarar esta notícia?

A nossa posição é a de olhar para a realidade e gerir a empresa o melhor que podemos para que seja rentável. Cada empresa tem o seu mercado, o seu target , e tem de saber oferecer o melhor produto possível e da forma mais competitiva. Certamente que o público que compra um BMW topo de gama ou um Morris Mini dos antigos não é o mesmo. Mas todos os públicos são respeitáveis e todos os negócios são respeitáveis. A nossa previsão é que a liberalização do mercado traga também algum tráfego novo. O tráfego novo acontece sempre e, se algum será absorvido por outras companhias, uma parte virá para a SATA. A nossa preocupação central é de serviço aos Açores e conectividade dos Açores. E por isso digo com algum orgulho que Açores é SATA.

Mesmo com a liberalização?

Só nós oferecemos tanta conectividade aos Açores. Só nós voamos do continente para todas as ilhas que têm aeroportos; do Porto para os dois maiores aeroportos dos Açores. Só no Verão IATA (que se inicia no final de março) disponibilizamos 370 mil lugares entre os Açores e o continente, o que dá uma média de 1770 lugares por dia, 11 voos por dia. Já nos voos interilhas vamos oferecer 466 mil lugares, 222 lugares por dia, 36 voos por dia. Tudo isto é um serviço de sentido público, porque é assim que encaramos esta atividade, mesmo quando estamos a voar para EUA ou Canadá. A SATA só existe porque a comunidade que reside nas nove ilhas precisa desta companhia aérea e é verdade que está a ser confrontada com novos desafios, voar para aeroportos para onde nunca voou e a um ritmo muito mais elevado, mas os colaboradores estão a responder muito positivamente.

Com a entrada das low-cost será inevitável perderem alguma quota de mercado nas ligações ao continente. Qual é a percentagem do negócio que corresponde ao serviço agora liberalizado?

As rotas liberalizadas [continente-Ponta Delgada ou Terceira] representam 35% da receita da SATA no ano passado. Mas apesar de existir concorrência, sentimos que há uma relação de confiança entre os clientes e a companhia que nos tem permitido assegurar um volume de vendas acima do que era a nossa pior expectativa.

Mesmo achando que quem compra uma tarifa SATA não vai comprar uma tarifa low-cost?

Eu não poria o assunto assim, porque tudo dependerá das circunstâncias e dos momentos. A nossa preocupação é trabalhar na maior fidelização dos clientes e tentar aumentar a penetração nos segmentos que têm maior apetência para alterar o voo para outro dia, trazer mais bagagem, marcar o lugar ou ter um serviço a bordo diferenciado. Há mais ou menos clientes para tudo e este é o nosso cliente. Além disso, temos um foco no cliente açoriano que é quem verdadeiramente nos obriga a diferenciar a oferta pela qualidade do serviço.

O facto de as novas operadoras serem companhias low-cost aumenta a pressão para que reduzam os preços dos bilhetes?

Perante tudo o que já disse da diferenciação do serviço, posso adiantar que no verão IATA 2015, dos 370 mil lugares oferecidos, vamos ter no mínimo 50 mil lugares com tarifas promocionais. Isso quer dizer que estamos atentos aos nossos clientes e à possibilidade de lhes permitir poupanças no transporte aéreo. Os clientes SATA estão habituados a campanhas e a algumas tarifas promocionais, e isso vai manter-se.

Mas é sequer possível competir com preços que vão desde 29,99 euros, como agora surgem?

Nós nunca nos posicionamos no mercado pelo preço, sobretudo, quando o preço atinge esse tipo de valores. Eu sei que frequentemente as pessoas se questionam por que razão uns podem e outros não; porque uns vendem a 30 euros e outros não vendem a menos de 100 euros. Sem me pronunciar sobre outras empresas, este tema é relativamente simples: as estruturas operacionais das companhias de baixo custo são muito diferentes, basta ver que praticamente não têm, por exemplo, voos intercontinentais ou voos noturnos. Enfim, cada uma tem o seu padrão. E os vários padrões exigem custos diferenciados, tanto em matéria de recursos humanos como, até, de combustível.

Como é que fica a subsidiação da SATA com a liberalização das rotas?

A SATA tinha tradicionalmente dois contratos. Um contrato de serviço interilhas, que se mantém, e um contrato para as ligações Açores-continente. Para esse serviço havia um subsídio à própria companhia que se traduzia numa receita anual de cerca de 13 milhões de euros. E isso desaparece porque agora o subsídio é ao preço do bilhete e é pago diretamente ao cidadão.

http://www.dinheirovivo.pt/empresas/interior.aspx?content_id=4454554&page=-1

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